É necessário higienizar compras e superfícies para evitar o coronavírus?

Se você sai borrifando álcool em tudo e desinfeta cada embalagem das compras do supermercado para evitar a Covid-19, aqui vai um recado da ciência: todo esse cuidado pode beirar o exagero. Os especialistas estão cada vez mais convencidos de que a capacidade de o coronavírus entrar no seu organismo e provocar estragos a partir de uma superfície contaminada é bem menos comum do que se imagina.

Isso não significa que é impossível pegar o Sars-CoV-2 ao colocar a mão numa maçaneta e, depois, na boca ou nos olhos. “A questão é que a probabilidade é muito baixa, e higienizar as mãos de forma correta já é suficiente para bloquear essa via de transmissão”, aponta Marcio Sommer Bittencourt, médico e pesquisador do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP.

Hoje há uma convicção de que detectar partes do vírus em algum objeto não é necessariamente motivo de preocupação. “É preciso considerar diversas circunstâncias, como a carga viral depositada em cada superfície, o material em questão, o tempo de permanência ali, as condições climáticas e por aí vai”, pontua Jônatas Abrahão, virologista da Universidade Federal de Minas Gerais.

Às vezes, é só a carcaça do Sars-CoV-2 que está ali, sem qualquer capacidade de invadir o organismo, replicar-se e desencadear os sintomas da Covid-19. “E mesmo que ele esteja viável, só será realmente preocupante se houver quantidade suficiente para contaminar quem colocar as mãos ali e levá-las ao rosto”, destaca Bittencourt.

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