Os hábitos que protegem contra demência, mesmo quando há histórico familiar

Seguir pelo menos três comportamentos saudáveis derruba em até 35% a probabilidade de desenvolver doenças neurodegenerativas

Ainda que haja histórico familiar de demência, a escolha de um estilo de vida mais saudável pode reduzir o risco de demência. Uma pesquisa apresentada em uma conferência da American Heart Association revelou seis bons hábitos que podem ajudar na saúde do cérebro. A demência em parentes de primeiro grau (como pais ou irmãos) é um fator relevante. Entenda que em comparação com pessoas sem histórico familiar, o risco de desenvolver a doença é de 75%. Idade, sexo, raça e questões como pressão alta, colesterol alto, diabetes tipo 2 e depressão também podem ter um impacto.

“O risco aumenta com a idade: 2% entre 60 e 65 anos e 30% depois dos 85. As mulheres têm maior probabilidade de desenvolver a doença de Alzheimer e os homens têm mais probabilidade de desenvolver demência vascular”, explica Alexandre Busse, Coordenador de Doenças e Gerontologia do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

Durante quatro anos, 302 239. Homens e mulheres de 50 a 73 anos tentaram seguir os seguintes hábitos:

● Apostar em uma dieta com mais frutas e vegetais, e menos carne processada e grãos

● Praticar 150 minutos de exercícios físicos por semana, de moderado a vigoroso

● Beber com parcimônia

● Não fumar

● Dormir de seis a nove horas por noite

● Manter o IMC abaixo de 30

Oito anos depois, os participantes com histórico de demência familiar que tiveram essa mudança de hábito notaram uma redução de 25% a 35% na probabilidade de desenvolver a doença em comparação aos que seguiram dois ou menos hábitos saudáveis.

No geral, colocar em prática três dessas medidas diminui o risco em 30% mesmo quando os indivíduos têm histórico familiar somado a outros fatores de risco.

Para a autora do trabalho, Angelique Brellenthin, da Iowa State University, nos EUA, os dados apontam que padrão alimentar, atividade física e tabagismo afetam o risco geral de demência entre pessoas que tenham ou não uma relação genética com a doença. E isso abre portas para a prevenção no dia a dia.

Um detalhe: para que o exercício físico tenha alguma ação no cérebro, é fundamental que ele seja moderado. “Não importa a modalidade: caminhada, corrida, bicicleta ou natação. É preciso que ocorra aumento na frequência cardíaca e respiratória e que a pessoa sinta o corpo suar”, explica Busse.

A recomendação é que a população se esforce para seguir ao menos três desses hábitos, mas que as mudanças sejam feitas de forma gradual.