Mutação pode atrapalhar a vacina?

A notícia de que uma nova versão do coronavírus (Sars-CoV-2) teria levado a uma situação “fora de controle” nas últimas semanas na Inglaterra deixou o mundo preocupado. A variante, batizada de linhagem B.1.1.7, carrega 17 mutações em diferentes pontos do código genético do vírus, alguns relacionados à velocidade de transmissão da Covid-19.

Isolada pela primeira vez no dia 20 de setembro no sudeste da Inglaterra, ela se tornou, em poucas semanas, responsável por 60% das infecções em Londres. O achado foi publicado no periódico Virology, e fez o país adotar medidas mais restritivas, como um lockdown durante as festas de fim de ano.

A prevalência pode se tratar apenas de um acaso. É estranho pensar em coincidências assim, mas no mundo dos vírus, que sofrem pequenas mutações a todo momento, não dá para descartar essa teoria.

Também é possível especular que essa variante do Sars-CoV-2 estava no lugar certo e na hora certa para se disseminar rapidamente. Ela poderia ter ganhado terreno, por exemplo, a partir de uma grande aglomeração, com indivíduos que naturalmente espalham mais a Covid-19 (os super espalhadores).

Uma das coisas que realmente chamam a atenção na B.1.1.7 e merece mais estudos é o fato de que, das 17 mutações, oito estão relacionadas à proteína S, ou espícula. Essa molécula fica na superfície do vírus e é usada para infectar as células. E… é o principal alvo das vacinas da Pfizer, Moderna, AstraZeneca e outras.

“Por enquanto, as alterações não parecem importantes a ponto de exigir uma revisão dos imunizantes, mas precisamos seguir monitorando para ver se isso será necessário no futuro”, aponta Spilki. O novo coronavírus, apesar de apresentar pequenas mutações desde que surgiu, não parece ser como o vírus da gripe, que muda a ponto de precisar de uma nova vacina todos os anos

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